Trilho das Azenhas: um convite a desligar

Não há como negar. Se existe cidade que tem um encanto impossível de exprimir em palavras é Amarante. Eu sei que sou suspeita, mas Amarante mostra beleza a cada canto e recanto, produz magia a cada estação do ano e é especial todos os dias. 

Atrai (muitos) visitantes, impondo o seu charme e os seus atributos (gastronomia, cultura, natureza…) durante todo o ano, contando com mais um: o fabuloso Trilho das Azenhas

Um alerta antes de avançarmos. Está com pressa? Então, terá mesmo de abrandar para continuar na nossa companhia...

Aqui, a pressa não entra 


O Trilho das Azenhas, que urge descobrir e percorrer, é um percurso pedestre (mas também ciclável) que tem início no coração da cidade de Amarante e que está a dar que falar, pelos melhores motivos, claro. Nós adorámos este percurso e, por isso, deixamos um desafio à sua descoberta, feita de muita tranquilidade e beleza. 

Chegadas ao lugar da Torre e do Rossio, onde começa o Trilho das Azenhas (esta é a opção mais usada, mas há quem comece o percurso na Praia Aurora, nas proximidades das Termas de Amarante) a Maria João, ao olhar para o Rio, embevecida com a paisagem (não é para menos) disse:“Mamã, eu nunca caminhei naquele ‘passadiço’ de pedra, podemos atravessá-lo, por favor?”


Um parêntesis para referir que o passadiço a que se referia a Maria João, não é mais do que a parede do açude existente na zona dos Morleiros e da Ilha dos Amores, na qual foi colocado um lajeado de pedra que permite uma travessia segura do Tâmega.

Eu, apesar de já o ter utilizado várias vezes, aceitei, obviamente, de bom agrado o pedido. E assim foi. Antes de iniciarmos o trajeto “saltitámos” de pedra em pedra com a água a passar por entre as rochas. 

Ficámos maravilhadas, apesar de estarmos habituadas ao panorama, com a magnífica paisagem circundante e com as quedas de água.


Antes de metermos os pés ao caminho ainda nos “perdemos” na zona das Azenhas, onde toda a área envolvente foi alvo de recuperação urbanística e paisagística. Foram feitos ajardinamentos e criadas zonas de lazer e observação e contemplação do Rio e da paisagem. 


No local existe uma pequena praia fluvial (para já, apenas classificada como zona de banhos). Desfrutámos da calmaria do local e a Maria João quis levar para casa, como forma de recordação, uma pedra de que gostou.


Já estávamos a caminho, mas não resistimos a sair do percurso, descer até ao rio e sentarmo-nos nas pedras a contemplar a paisagem. Mais uma excelente perspetiva e mais umas fotografias para acrescentar à memória do telemóvel e, claro, à nossa. 


O percurso, feito sempre pela margem direita do Rio Tâmega, ao longo de seis quilómetros (doze, com regresso ao ponto de partida, junto às Azenhas dos Morleiros) até à freguesia de Vila Caiz, em permanente namoro com o Rio Tâmega e abraçado pela natureza, é um verdadeiro refúgio para fugir à rotina e relaxar a cada quilómetro percorrido. 


O Tâmega, tão silencioso, onde a água marca o ritmo, lento por sinal, permitiu-nos deambular, apreciar a beleza do trajeto e fomos convidadas a viver uma experiência única, graças à envolvência rural e à harmonia entre o rio e a natureza. 


Passámos por baixo da ponte da auto-estrada (A4).“É muito alta, temos que passar rápido que estou um bocadinho assustada”, disse a Maria João.

O trajeto é praticamente plano o que permite apreciar a paisagem sem grande esforço. 


Ouvimos o som dos pássaros, vimos patos no rio, pescadores, as árvores da outra margem refletidas no Rio (cenário único e maravilhoso), famílias felizes, ciclistas, encontrámos amigos, alguns que já não víamos há muito tempo, (acho que tal como as Festas do Junho, aqui só quem é Amarantina/o vai perceber: este trilho vai passar a ser o ponto de encontro, para se ver e rever os amigos e conhecidos) e cruzámo-nos com conhecidos.


Fotografámos (como já é habitual) muito e sempre que possível sentámo-nos nas pedras que estão ao longo do percurso, colocadas, penso eu de forma estratégica para os visitantes usufruírem de um momento de descanso. Foi muito cativante e apaziguador. 


Vimos a imponente “Ponte de Baia” que fez parte da Linha do Tâmega e fiz uma pausa para explicar à Maria João que, durante muitos anos, e até ao ano de 2009 a automotora passava na ponte no sentido Livração-Amarante e vice-versa e ela lembrou-se das histórias que o meu pai lhe contou acerca do uso deste meio de transporte para ir trabalhar quando era jovem, aliás uma criança, com apenas 11 anos. 


Seguimos caminho e, quando chegámos ao fim do percurso, admirámos uma ampla vista panorâmica sobre o Rio Tâmega. Que lugar maravilhoso!


Descobrir o Trilho das Azenhas é obrigatório! 


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