Trilho "O Marão tem Sangue Azul": em plena conexão com a natureza

Saímos da cidade de Amarante em direção à Serra do Marão com um dia de sol um pouco envergonhado, mas, quando chegámos à Póvoa, (lugar da  freguesia de Ansiães), mais precisamente ao Campo de Futebol, o sol deu lugar ao nevoeiro e as temperaturas baixaram abruptamente. Nem parecia que estávamos em pleno mês de agosto, mas sim num dia de Inverno.

Mas, como é óbvio, isso não foi impeditivo de realizarmos a caminhada que tínhamos estipulado. Pelo contrário, ficámos ainda mais entusiasmados, pois nunca tínhamos feito uma caminhada com estas condições atmosféricas.

Fizemo-nos ao percurso e desta vez contámos com uma companhia muito especial: o meu pai, avô da Maria João. Erámos só nós e a serra que parecia que ainda estava a dormir tal era o sossego que se sentia. Apenas se ouvia o barulho das águas vindo do fundo da encosta. 

Começámos a caminhar e, após poucos metros de percurso percebi que afinal o nevoeiro até veio dar um certo misticismo ao trilho, tornando-o num cenário bucólico, único e numa experiência diferente.

Ainda estávamos praticamente no início do trilho, mas o encantamento já era bem visível no nosso rosto. O telemóvel já guardava o que os nossos olhos estavam a vislumbrar através de (bonitas) fotografias. 

Já devem ter percebido que o contacto próximo com a natureza deixa-me (muito) relaxada, funciona como um calmante (natural) para o corpo, mas principalmente para a mente.

À medida que íamos caminhando, o deslumbramento ia aumentando. Que privilégio tão grande assistir aos belíssimos fenómenos da natureza e contemplá-la no seu estado mais puro.

O trilho segue por entre vegetação onde predominam as folhosas e tem como companhia umas maravilhosas linhas de água límpidas (daí se apelidar de Sangue Azul, as veias da natureza são os riachos e as ribeiras que contornam os seus vales e as suas encostas). 

Caminhámos calmamente a absorver tudo à nossa volta e a desfrutar do silêncio tão retemperador.

Fonte da Ribeira tem Sangue Azul

Este percurso tem bastantes sombras, na "primeira parte" antes da Represa da Póvoa, o que o torna ideal para percorrer nos dias quentes.

Confesso que ao longo da caminhada me senti "pequena" perante tamanha grandiosidade da natureza: as quedas de água, as grandes árvores, a tranquilidade, o caminho "florestal", etc…

A pedido da neta, o novo elemento do grupo foi a partilhar connosco histórias antigas de quando era pequeno e passava por um "bosque" para ir apanhar a automotora que o levava ao trabalho. "Avô, tinhas medo de ir sozinho?""Conta mais, por favor", e quase sem darmos conta já estávamos na Represa da Póvoa.

O nevoeiro deu lugar ao sol, ainda que tímido, e nós desfrutámos da merenda que tínhamos levado para a nossa pausa com vista para a Represa. 


Represa da Póvoa

É uma das mais simbólicas represas da Serra e é alimentada pela ribeira com o mesmo nome. Dela resulta uma pequena albufeira, que disponibiliza água para combate a incêndios e saceia a sede a animais que têm na zona o seu habitat. 

O local é aprazível e convida a uns momentos de lazer em família, com amigos e até sozinhas/os. Já se sabe que com companhia a diversão é outra.

Esta área priva de uma beleza e biodiversidade ímpar. Aqui, pode tomar um banho refrescante (com os devidos cuidados), merendar num espaço preparado para o efeito e desfrutar de (excelentes) momentos de lazer. 

Se preferir também pode munir-se da manta de piquenique. É imperativo levar farnel e "piquenicar" neste maravilhoso local. 

Represa da Póvoa

É o sítio ideal (fica a sensivelmente um quilómetro e meio do início do percurso) para recarregar energias para continuar o trilho (a subir, num trajeto mais inclinado e técnico) até à fronteira com o concelho de Baião.

Prepare-se, os últimos 500 metros vão exigir algum esforço adicional, pois são feitos num terreno com cerca de 70 por cento de inclinação, até à cota dos 1200 metros. Aqui, os caminheiros terão chegado a um lugar denominado de Malhada do Arneiro, bem nas proximidades do Parque Eólico do Penedo Ruivo. 

Mas o esforço vai ser recompensado, pois dali tem-se, para poente, uma paisagem absolutamente surpreendente. Ao olharmos a nordeste, damos de frente com a capela da Senhora da Serra, a 1400 metros de altitude, onde, no mês de julho, se faz a romaria para ver nascer o sol. 

Este incrível percurso pela natureza está muito bem sinalizado. Dado ser de tipo linear, já sabe o caminho é o mesmo para ir e voltar. 

Se optar por fazer o trilho no sentido inverso (descendente) serão percorridos sete quilómetros. Ao longo do trilho vai encontrar placas informativas.

Tenho uma sugestão a fazer. Se preferir pode optar por dividir o trilho (ver a seguir as opções 1 e 2) ou então dirigir-se de carro até à Represa da Póvoa apenas para desfrutar do local para passar um dia muito agradável.

Opção 1: ir de carro até à Represa da Póvoa e daí subir até à fronteira com o concelho de Baião e voltar para trás.

Opção 2: começar no Campo de Futebol e subir até à Represa da Póvoa. Depois fazer o percurso novamente até ao carro.

Parta à descoberta da Serra do Marão e explore mais um sítio absolutamente arrebatador. 

Como chegar: 

Coordenadas GPS aqui

Não deixe de ler os seguintes artigos sobre três locais magníficos na Serra do Marão.

- Parque de Lazer da Lameira: Piquenique em comunhão com a natureza

- Covelo do Monte: pelas encostas da Serra do Marão

- A Serra do Marão está a explodir de cor








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